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Prefeitura de Parintins encerra as 59ª Festividades Folclóricas com noite emocionante dos Bois Mirins

Por Cristiane Barbosa
Prefeitura de Parintins encerra as 59ª Festividades Folclóricas com noite emocionante dos Bois Mirins

A Prefeitura de Parintins, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa (Secult), encerrou com chave de ouro, na noite deste domingo (14), as 59ª Festividades Folclóricas de Quadrilhas, Danças e Bois Mirins de Parintins. O evento contou com a parceria do Governo do Amazonas. 

O Anfiteatro Sila Marçal foi o palco de um espetáculo inesquecível, onde as três associações folclóricas mirins emocionaram o público e lotaram as arquibancadas. Para além de uma brincadeira de criança, os Bois Mirins mostraram criatividade, consciência social, inclusão e paixão popular, exaltando a história, as tradições e a riqueza cultural da Amazônia.

1º - Mineirinho abre a noite celebrando seu Jubileu de Ouro

Abrindo a última noite de espetáculo, o Boi-Bumbá Mineirinho celebrou uma marca histórica: meio século de existência. Sob o tema "Mineirinho, Meio Século de História e Tradição", o boi preto do Centro da Ilha e de Nossa Senhora do Carmo reconstruiu na arena a sua própria trajetória, nascida em 12 de junho de 1976 do amor de Dona Leonor (torcedora do Caprichoso) e de seu esposo Seo Lelé (torcedor do Garantido).

O espetáculo do Mineirinho dividiu-se em três atos grandiosos:

Celebração Folclórica: a apresentação iniciou com um momento cênico impactante, onde um módulo alegórico central em formato de catedral revelou os itens oficiais. O Apresentador (homenageando Jaime Ferreira), o Levantador de Toadas e o Amo do Boi (representando Seo Lelé) conduziram a evolução. O grande destaque foi a Sinhazinha da Fazenda, representando o Jubileu de Ouro em homenagem à eterna Rainha do Ouro, Grayce Silva.

Exaltação Cabocla: o cenário se transformou para encenar a lenda da Yara, a protetora dos lagos, cuja evolução culminou na revelação da Cunhã-Poranga como a Encantaria das Águas.

Momento Indígena: o boi trouxe o imponente ritual dos Apinajés e sua batalha contra os Cupendiepes (o povo morcego), finalizando com a apoteose do Pajé, que representou o Sol.

2º - Estrelinha encanta a arena com o verdejar da "Amazônia Criança"

Dando continuidade às apresentações, o Boi-Bumbá Mirim Estrelinha transbordou sensibilidade, afeto e o autêntico espírito de comunidade sob o tema "Amazônia Criança: Imaginário da Vida". Defendendo as cores verde e branco e ostentando sua tradicional estrela de oito pontas na testa do boizinho, a associação emocionou os torcedores ao transformar a arena em um grande terreiro de infâncias plurais.

Os principais destaques do Estrelinha na noite foram:

Prólogo de Devoção e Respeito: fiel às suas raízes fundadas na promessa de Hudson Carmo na década de 1980, o Estrelinha abriu sua apresentação em frente à simbólica representação da Igreja de São Benedito. Em um manifesto contra o preconceito e a intolerância, o boizinho exaltou o "santo preto", pedindo bênçãos para o espetáculo e ensinando a pluralidade religiosa desde a infância.

O Menestrel da Fazenda: o Amo do Boi, Henrique Gabriel — descrito como o mais experiente do festival —, deu um show de carisma e improviso. O curumim emocionou o anfiteatro ao cantar "Meu Divino Salvador", unindo a imponência do dono da fazenda à doçura da devoção infantil.

Ritmo e Consciência Ambiental: a Batucada do Estrelinha, sob a regência de Bruno Souza e Elian Rugman, fez o chão do anfiteatro tremer. Com as mãos tecendo o ritmo, os batuqueiros mirins demonstraram uma forte conexão com o meio ambiente, utilizando materiais que remetiam às palhas e aos saberes tradicionais passados de geração em geração.

Exemplo de Equidade: o Estrelinha consolidou-se como o "nascedouro da inclusão" ao integrar perfeitamente crianças neurotípicas (TEA, TDAH, dislexia), cadeirantes, quilombolas e ribeirinhas em todas as alas e itens da arena, provando que na arena das crianças não existem barreiras para a felicidade.

3º - Tupi fecha o festival com manifesto social e as "Raízes do Meu Lugar"

Encerrando a noite de disputas, o Boi Bumbá Mirim Tupi coloriu a arena de laranja e branco com o tema "Raízes do Meu Lugar". Com uma proposta embasada em fundamentação teórica, citando pensadores como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, a associação utilizou o anfiteatro como um poderoso instrumento de pedagogia cultural e defesa dos direitos da infância.

A apresentação do Tupi foi um show de criatividade e engajamento dividido em: 

Bloco Musical e Escola de Artes: o espetáculo começou com a sonorização da flautista Sofia da Silva Prata (9 anos) e a estreia do pequeno Nícolas Colares Garcia (6 anos) como Apresentador. O Levantador Isaac Pereira e o Amo Rayan Guilherme comandaram o ritmo da Batucada de Guerra.

Exaltação Folclórica: o boi homenageou seus fundadores e o eterno tripa Markinho Azevedo, por meio de sua Escola de Artes. A Porta-Estandarte, Vitória Siderval (9 anos), surpreendeu ao trazer referências ao Frevo nordestino, simbolizando o intercâmbio cultural. O bloco de Vestidos Regionais deu um show de sustentabilidade, utilizando materiais recicláveis como copos descartáveis e garrafas PET.

Lenda Jacurutu e Cunhã-Poranga: o momento mais marcante foi a encenação da lenda de Jacurutu, o pesadelo da noite. O Tupi usou a figura do cacique antropófago que devorava crianças para fazer um manifesto real contra o abuso infantil e a violência. A noite seguiu com a evolução da Cunhã-Poranga, Layssa Gabriele (13 anos), que surgiu de uma enorme coruja. Outro momento singular foi a apresentação da Rainha do Folclore, Ayla Beatrice (07 anos), que deu um show de bailado e levantou a arquibancada. 

Resistência Indígena e Inclusão: o ritual Muraída trouxe uma forte crítica social contra o preconceito histórico sofrido pelo povo Mura. O Pajé José Romano (7 anos) finalizou com uma indumentária impressionante que trazia um crânio de jacaré. O espetáculo do Tupi também foi um espaço de inclusão, a apresentação contou com a participação de crianças com TEA e TDAH na Batucada e na Vaqueirada.

Com o encerramento das apresentações, a Prefeitura de Parintins e o Governo do Amazonas celebram o sucesso absoluto de mais uma edição das Festividades Folclóricas. Ao dar voz e espaço aos curumins e cunhantãs, o município reafirma seu compromisso com a valorização cultural, garantindo que o futuro do maior patrimônio de Parintins tenha continuidade. 

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Texto: Cristiane Barbosa/ SECOM
Fotos: Sidney Simas/ SECOM
E-mail: [email protected]
Site: www.parintins.am.gov.br
Secretaria Municipal de Comunicação (SECOM/Parintins)